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OPESCADOR |
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Piracema
Os peixes migradores são periodicamente, sincronicamente em momentos definidos no tempo e no espaço. Nesses momentos a probabilidade de sobrevivência dos pais e dos descendentes é maior, garantindo que se perpetuem as espécies. A língua tupi designa uma palavra específica para esse fenômeno - Piracema- que significa "saída dos peixes para a desova". Os índios já haviam observado que alguns peixes saíam dos lagos e baías em movimentos migratórios que culminavam com a reprodução, e, mesmo nos dias de hoje, piracema ainda é a palavra que melhor traduz toda a complexa seqüência que harmoniza o processo reprodutivo dos peixes com as condições ambientais mais propícias. Antes muito antes da reprodução propriamente dita, a natureza emite sinais para trazer de longe, às vezes milhares de quilômetros, os machos e fêmeas que se encontram dispersos nos rios e lagos. Por meio de seus sistemas sensoriais, os animais interpretam os sinais ambientais de que a estação favorável está para chegar. Dias mais quentes, chuvas mais freqüentes, água mais oxigenada são alguns desses sinais. Começam, então, a amadurecer os órgãos reprodutivos para a futura fecundação. Os peixes saem das baías e áreas de peixes saem da baías e áreas de alimentação para a calha dos rios, formando cardumes polarizados que se dirigem ao local de desova. Nesse local, centenas de animais estarão próximos, maduros, prontos para o acasalamento. A fecundação dos peixes migradores é externa, e a elevada concentração de machos e fêmeas aumenta as chances de fertilização no ambiente aquático. Milhões de ovos formarão nuvens suspensa na coluna d'água. Vítimas de predadores, da escassez de alimento e de muitas outras condições adversas, poucas larvas chegarão à fase adulta. A dispersão dos ovos, embriões e larvas para as áreas marginais, levados pelas correntes, concorre para que os pequenos animais encontrem maior quantidade de alimento e proteção, reduzindo essa perda. O apelo para conservação da espécie é tão intenso que os animais descuidam de suas estratégias de sobrevivência. Tornam-se presa fácil, pois a viagem de centenas de quilômetros os deixa extenuados. muitos pescadores aproveitam-se dessa fragilidade para capturá-los facilmente, e em grandes quantidades. Agindo desse modo, os pescadores interferem em todo processo de perpetuação da espécie e renovação dos estoques, que será sentindo na diminuição do tamanho dos peixes e na quantidade disponível para a pesca nos anos subseqüentes. Por isso é tão importante a proteção dos peixes na época da piracema |